Este texto aborda a origem do emblema, o seu uso para proteção em tempos de guerra, bem como o uso indicativo em tempos de paz. Esta publicação especifica as instituições as quais têm o direito de usá-lo e cita exemplos de abuso ou de falta de respeito pelo emblema.
Os emblemas da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho são a peça-chave de toda a atividade humanitária: eles devem proteger tanto as vítimas quanto aqueles que vêm ao seu socorro. O valor de proteção do emblema tem que ser construído em tempos de paz, pois pode ser demasiadamente tarde combater os abusos uma vez que as hostilidades tenham começado.
A prevenção da imitação e do uso impróprio do emblema em tempos de paz irá então garantir que as vítimas de conflitos não serão abandonadas à sua sorte e que aqueles que vêm ao seu socorro terão as garantias de segurança para exercer o seu trabalho.
Cada um de nós pode preservar e fortalecer o valor de proteção do emblema. Somos todos individualmente responsáveis por garantir a proteção concedida por um emblema que, algum dia, pode vir a salvar as nossas vidas.
Esta é a finalidade essencial do emblema: em tempos de conflito, ele constitui um símbolo visível de proteção concedido pelas Convenções de Genebra. O emblema existe para mostrar aos combatentes que as pessoas (voluntários das Sociedades Nacionais, pessoal médico, delegados do CICV e assim por diante), unidades médicas (hospitais, postos de primeiros socorros etc.) e os meios de transporte (por terra, mar ou ar) são protegidos pelas Convenções de Genebra e seus Protocolos Adicionais.
O emblema, quando usado como um dispositivo de proteção, deve provocar um reflexo entre os combatentes: contenção e respeito. O emblema deve, portanto, ser de grandes dimensões.
O uso indicativo do emblema é destinado a mostrar, em tempos de paz, que uma pessoa ou objeto estão ligados ao Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho – à uma Sociedade Nacional da Cruz Vermelha ou do Crescente Vermelho, à Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, ou ao Comitê Internacional da Cruz Vermelha. Neste caso, o emblema deve ser de menor tamanho. O emblema também serve como um lembrete de que estas instituições trabalham de acordo com os Princípios Fundamentais do Movimento; é, portanto também um símbolo de humanidade, imparcialidade, neutralidade, independência, serviço voluntário, unidade e universalidade.
Em tempos de paz
Uso indicativo (dimensões pequenas)
Uso de proteção (grandes dimensões)
Em tempos de conflito
Uso indicativo (pequenas dimensões)
Uso de proteção (grandes dimensões)
Cada Estado Parte às Convenções de Genebra tem a obrigação permanente de adotar medidas para coibir e reprimir qualquer abuso do emblema. Cada Estado deve, em particular, formular legislação destinada à proteção dos emblemas da cruz vermelha e do crescente vermelho. Qualquer uso que não seja expressamente autorizado pelas Convenções de Genebra e seu Protocolos Adicionais constitui um abuso do emblema. Os exemplos a seguir são típicos:
Imitação
O uso de símbolos que podem ser confundidos com o emblema da cruz vermelha e do crescente vermelho (e.g., cores ou design similares).
Uso impróprio
O uso do emblema da cruz vermelha e do crescente vermelho por pessoas não autorizadas (firmas comerciais, organizações não-governamentais, indivíduos, médicos privados, farmacêuticos, e assim por diante);
Abuso grave (perfídia)
O uso do emblema da cruz vermelha e do crescente vermelho em tempos de guerra para proteger combatentes armados ou equipamento militar (e.g., ambulâncias ou helicópteros marcados com o emblema e usados para transportar combatentes armados; depósitos de munição disfarçados com bandeiras da cruz vermelha) é considerado um crime de guerra.
Caso você testemunhe algum abuso do emblema, contate a Sociedade Nacional de seu país ou entre em contato com a Delegação mais próxima do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, ou a Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho!
1859 Henry Dunant testemunha a Batalha de Solferino, onde milhares de soldados feridos foram deixados à morte sem nenhum cuidado e seus corpos ficaram expostos a saqueadores e predadores.
Os serviços médicos das forças armadas foram incapazes de executar a sua missão, pois dentre as razões figurava o fato de não serem distinguidos por um emblema uniforme que facilmente os identificasse por todas as partes envolvidas no conflito.
1863 Uma Conferência Internacional ocorreu em Genebra para tentar encontrar meios de mitigar a ineficácia dos serviços médicos das forças armadas no campo de batalha. A Conferência adotou a cruz vermelha sobre um fundo branco como o símbolo característico das sociedades de assistência aos soldados feridos – as futuras Sociedades Nacionais da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho.
1864 Foi adotada a primeira Convenção de Genebra da história: a cruz vermelha sobre um fundo branco foi oficialmente reconhecida como o símbolo característico dos serviços médicos das forças armadas.
1876 Durante a Guerra entre a Rússia e a Turquia, travada nos Bálcãs, o Império Otomano decidiu usar um crescente vermelho sobre um fundo branco, ao invés da cruz vermelha. O Egito também decidiu optar pelo crescente vermelho, e a Pérsia subseqüentemente escolheu o leão vermelho e o sol sobre um fundo branco. Estes Estados fizeram ressalvas às Convenções, e desta forma seus símbolos diferenciados foram subscritos nas Convenções de 1929.
1949 O Artigo 38 da Primeira Convenção de Genebra de 1949 confirmou os emblemas da cruz vermelha, do crescente vermelho e do leão vermelho e o sol, sobre um fundo branco, como os símbolos de proteção dos serviços médicos das forças armadas. Portanto, foram excluídos os usos de quaisquer outros símbolos excepcionais além do crescente vermelho e do leão vermelho e o sol.
1980 A República Islâmica do Irã decidiu abrir mão do leão vermelho e do sol e passou a usar o crescente vermelho em seu lugar.
1982 A Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho adotou, como seu emblema, a cruz vermelha e o crescente vermelho sobre um fundo branco.
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